Cirurgia bariátrica: entenda o procedimento e o pós-operatório

A intervenção de redução do estômago tem sido indicada para diminuir a pressão alta, controlar o diabetes e combater a depressão – mesmo de quem não é obeso

Em 2016, o número de intervenções feitas no Brasil cresceu 7,5% em relação ao ano anterior, chegando a um total de 100 mil – as mulheres correspondem a 76% dos operados. Há anos o país ocupa o segundo lugar do mundo em quantidade de cirurgias, atrás apenas dos Estados Unidos. Aqui, a maioria ocorreu na rede privada, onde são feitas ao custo médio de 25 mil reais. Apenas 8% foram efetuadas pelo SUS – cinco estados não dispõem de hospital credenciado para o procedimento. Por isso, a fila de espera em certos locais ultrapassa quatro anos.

Como acarreta grande perda de peso em curto prazo, a cirurgia pode parecer a solução mágica para quem deseja ficar magro e comer sem restrições. A realidade, porém, é bem diferente: “A vida do operado requer disciplina”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Fábio Trujilho. “Ela não é vacina contra a obesidade, mas o primeiro passo para o que parecia impossível ao obeso: mudar de estilo de vida”, salienta o cirurgião-geral Caetano Marchesini, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

A intervenção diminui drasticamente o tamanho do estômago e pode modificar o trajeto dos alimentos, reduzindo sua absorção. Desde a popularização, nos anos 1990, evoluiu muito. “Os atuais grampeadores usados para selar o estômago são ‘inteligentes’: ‘leem’ o tecido e calculam a pressão necessária para o grampo fechar”, conta Marchesini. Com isso, caiu de 5% para menos de 1% a incidência de fístula, reação inflamatória que pode levar ao rompimento do órgão, com risco de infecções generalizadas.

Sobre as técnicas, o maior avanço foi a utilização da videolaparoscopia, a partir de 1998. “Incisões de 10 a 20 centímetros no abdome deram lugar a cinco cortes de apenas 1 centímetro, por onde introduzimos câmera, bisturi e outros instrumentos”, diz o cirurgião Ricardo Cohen, coordenador do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e um dos pioneiros na redução de estômago por essa via. “O tempo de internação diminui e a recuperação é mais rápida.” Volta-se a trabalhar em 15 dias; antes eram 60. O risco de problemas no corte, hematomas, infecção e hérnias desabou de 25% para menos de 1%, e a mortalidade cirúrgica de 4% para 0,2%, semelhante à da cesariana, compara Marchesini.

Outra técnica menos invasiva recebeu aprovação da Anvisa este ano e deve estar disponível a partir de junho: o estômago é reduzido durante uma endoscopia e o paciente recebe alta no mesmo dia.